" Viver é a coisa mais rara do Mundo. A maioria das pessoas apenas existe " Oscar Wilde
06 de Junho de 2014

Caros leitores,

Há 70 anos, na madrugada de 06 de Junho de 1944, tropas de cinco continentes, de várias nações, desembarcaram nas praias da Normândia.

Foi a operação " OverLord", que deu início à última grande batalha para derrotar, não um exército, mas sim uma ideologia!

 

Centenas de milhares de homens deram consigo nas praias da Normandia, uns perante a estupefação do exército Alemão, outros perante uma feroz defesa da costa. Milhares perderam a vida nessas praias, mas deram decisivo contributo para que muitas outras Vidas fossem salvas.

 

Era eu um miúdo, no início da minha adolescência, quando, no exercício de " História Viva", com que o meu Avô me privilegiou, pude ir a muitas das praias dessa Normandia e pude também calcorrear campos que guardam memória e segredos das primeiras batalhas do avanço do contingente Aliado já em terra seca de França.

Recordo um cemitério enorme!, cheio de cruzes brancas, que assinalavam muitos mortos na costa francesa desse dia.

Recordo ainda o privilégio que tive em poder falar e escutar alguns dos sobreviventes desse contingente!

Lembro-me, com emoção, de perceber que, aqueles soldados tiveram medo, que enjoaram nas agitadas águas do canal da Mancha e que apesar das enormidades que viveram e viram, me disseram que fariam tudo de novo, pis a Liberdade é mais que um Valor, é um Bem essencial à Vida!

 

Na minha vida e no meu Caminho, pude ainda conhecer franceses que viveram a chegada das tropas libertadoras da sua nação!, da sua alegria, nas rugas dos rostos e na emoção a relatarem a chegada da Liberdade!

Tive ainda o prazer de conhecer e escutar holandeses, belgas e tantos outros cidadãos de uma europa ocupada, não por um exército, mas por uma ideologia que reprimia a Liberdade, que impunha a unicidade de pensamento e a acção sem reflexão!

 

Anos mais tarde, já em idade adulta, conheci um sobrevivente de um campo da morte!

O regime Nazi, crou campos de concentração e campos de morte, que poucos conhecem ou sabem a diferença!

Este sobrevivente não mantinha um esperado ódio, mas sim vivia para manter viva uma memória do que pode suceder quando um povo deixa de questionar os seus lideres, quando um povo age sem reflexão nem outro critério que não a obediência cega

ESte sobrevivente, foi poupado por saber tocar piano e assim, ganhou uma sentença de pisão perpétua, num momento da História. Nuca mais se esqueceu do Adeus que não deu aos pais nem ao irmão!, quando chegaram a uma estação de caminhos de ferro e foram separados. Este sobrevivente, que me deu Amizade!, dedicou a sua vida não ao ódio, como seria de esperar, mas sim a transmitir às gerações mais novas, uma importante herança civilizacional: A Liberdade individual e colectiva reside no conhecimento, na reflexão e na consciência.

São estes os 3 elementos que todas as ditaduras retiram para se imporem, ainda nos nosso dias.

 

Assusto-me quando ouço funcionários dizerem que " sou só um administrativo!", pois essa foi uma frase dita vezes sem conta nos julgamentos de Nuremberga.

As ditaduras da actualidade não conquistam terreno com espingardas nem balas, fazem-no com exércitos financeiros, sem critério outro que a obtenção de ganhos sem medida. Os campos de concentração da actualidade são as listas de desempregados que crescem nos países intervencionados. Os campos de morte são a falência dos serviços públicos e de Saúde. A juventude hitleriana da actualidade é um sistema púbico de ensino que obriga a agir em obediência sem pensar nem aplicar espírito crítico.

 

Que este dia seja fonte de para reflexão, para conhecimento da História, mas que a simples narrativa dos factos e dos números e nomes, mas da História de um capítulo da Civilização, onde o fechar dos olhos da reflexão, do espírito crítico e da solidariedade criaram o fim da Liberdade e da multiplicidade cultural, religiosa e moral.

 

Sem Freio.

 

publicado por semfreio às 10:44
Sem espinhas... a realidade nua e crua!

Abraço
Anónimo a 6 de Junho de 2014 às 15:39
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